Na secretaria do Grupo Desportivo Santo Estêvão, o presidente, Fernando Lourenço, folheia a lista de sócios e encontra cerca de 750 números, universo do qual se extraem cerca de 500 pagantes e 40 inscritos no ano em curso. É um número quatro vezes superior àquele de que o clube de Santo Estêvão de Briteiros dispunha em 3 de outubro de 1986, quando se constituiu a escritura com a assinatura de 11 associados. “Tínhamos cerca de 120 sócios”, afirma, ao Reflexo, Francisco Araújo.
Já havia Santo Estêvão antes dessa data, porém. Uma fotografia afixada numa das paredes da secretaria mostra 13 jogadores alinhados num campo pelado em Souto, de camisola verde e calção vermelho, em 1983. A primeira reunião para se constituírem órgãos sociais dá-se em 15 de julho de 1984, cabendo as primeiras presidências oficiosas a José Maia Mendes e a António Roriz.
Outro dos fundadores, Manuel Gomes da Cunha, assume a liderança verde-rubra entre 1986 e 1989, período em que se adquire o terreno e inicia a construção do Campo da Fraga, inaugurado em 1990, já sob a presidência de Francisco Araújo. “Estava talvez a meio. Acabámos de construir o campo de futebol e os balneários”, recorda o antigo dirigente, que liderou o Santo Estêvão entre 1990 e 1993, em 1995 e ainda entre 2012 e 2015, numa comissão administrativa.
Nos primeiros quatro anos no cargo, Francisco Araújo empenhou-se em tornar o futebol uma coisa mais séria, elevando o clube dos torneios informais com equipas de freguesias vizinhas para a Associação de Futebol Popular de Guimarães, em 1991/92, e para a 3.ª Divisão da Associação de Futebol de Braga, em 1992/93. Um ano depois, o Santo Estêvão ascendeu à 2.ª Divisão distrital, patamar que lhe deu a estabilidade para se catapultar mais tarde para o principal campeonato regional, com a subida em 2001/02. “Foi um marco histórico para uma freguesia tão pequena como esta, que agora vai crescendo. Passámos a jogar com Ponte, Torcatense, Serzedelo, Brito”, descreve o ex-dirigente, a propósito de um tempo em que o presidente era José Oliveira Lima.
Do deserto competitivo ao renascimento
Esse auge precedeu a travessia de um longo deserto competitivo, entre 2009 e 2020. No final da temporada 2008/09, o clube desativou a equipa sénior. As dificuldades financeiras emergiam no horizonte e, em 2012, materializaram-se numa ameaça de hipoteca dos bens do Santo Estêvão por parte da Autoridade Tributária. Havia uma dívida de 5.232 euros, que foi paga faseadamente até 2015, após a constituição da comissão administrativa.
Dessa comissão, Manuel Rodrigues emergiu como presidente entre 2015 e 2017, antecedendo a primeira mulher presidente, Carla Oliveira, entre 2017 e 2019, num tempo em que o Santo Estêvão se fez representar por uma equipa feminina de futsal, e Francisco Mendes, líder eleito em 7 de março de 2020, que viria a reativar o futebol sénior passados três meses.
O Santo Estêvão regressa à Associação de Futebol de Braga na época 2020/21 e vive episódios marcantes em 2022: lança pela primeira vez os escalões de formação, que reúnem hoje cerca de 80 atletas, e o Campo da Fraga assume a imagem que hoje ostenta, com relvado sintético e bancadas requalificadas. Na temporada 2022/23, o clube vence a Série D da 1.ª Divisão e ascende ao escalão intermédio, a Divisão de Honra, onde hoje se encontra. “Claro que todos os sócios querem subir, mas este é o lugar certo para o clube certo”, considera Francisco Araújo.
Sucessor de Francisco Mendes, Fernando Lourenço preside aos verde-rubros desde maio e vê o Santo Estêvão no bom caminho, com um projeto para novos balneários que julga possível concretizar em dois anos. “O clube está bem estruturado e financeiramente estável. Tem boas condições de trabalho para os atletas e para quem vem ver os jogos. Temos um projeto da anterior direção para os novos balneários. A médio prazo, no segundo ano deste mandato ou no primeiro do seguinte, esteja eu ou outra pessoa, haverá condições para se iniciar a obra”, perspetiva.


