Apesar da vantagem de três golos ao fim de 45 minutos, o CC Taipas teve de suar para sair vitorioso do dérbi frente ao GD Santo Estêvão na primeira jornada da Divisão de Honra. Os da casa marcaram dois golos em quatro minutos após o intervalo, mas depois o conjunto de Tiago Mota controlou bem o jogo e selou o 2-4 final já aos 75 minutos.
O encontro mal tinha começado e já o marcador sofria alteração. No primeiro lance da partida, Alex Freitas desatou o nó com um soberbo remate colocado de fora da área, surpreendendo tudo e todos e colocando o CC Taipas em vantagem relâmpago.
A turma da casa sentiu o golpe, mas procurou erguer-se através de uma boa circulação de bola e construção organizada a partir de trás. Encontro bem dividido entre os dois emblemas e o GD Santo Estêvão tentava sacudir a pressão, contudo pecava muito na definição do último passe e na finalização (que foi pouca). A única ocasião de real perigo surgiu mesmo de um livre direto executado por João Pedro, que passou muito perto da baliza defendida por Luís Rodrigues.
No entanto, a eficácia do Taipas fez toda a diferença. À passagem dos 34 minutos, Jay apareceu para ampliar a vantagem para 0-2, gelando as aspirações caseiras. E se o segundo golo já pesava, dois minutos depois, os javalis desferiram um novo golpe num contra-ataque rápido desenhado por Alex Freitas (grande jogo do ex-Vitória SC e Moreirense!), encontrando Jay descaído sobre a esquerda, com o extremo a rubricar o bis na partida através de um remate exemplar e altamente colocado.
Já depois do intervalo, um novo golo precoce surgiu, mas desta vez, dos pupilos de Ismael Parauta: Pedras domina o esférico de peito e com um belo tiro de vólei de fora de área, apontou uma obra de arte com apenas cerca de dois minutos de segunda parte. Ora no lance seguinte, Tiago Faria, já no limite da área, concretizou o segundo tento dos briteirenses com um remate rasteiro, deixando o guardião mal colocado na fotografia – parecia o início de uma reviravolta dado o retomar frenético.
No entanto, o terceiro golo esteve sempre longe de aparecer. Os ânimos em campo arrefeceram, com a turma treinada por Tiago Mota a gerir o resultado e as dinâmicas do jogo. Ainda assim, os forasteiros conseguiram mesmo acabar com as esperanças do Santo Estêvão e chegaram ao quarto golo na sequência de um canto com um cabeceamento de Filipe Menezes, aos 75 minutos.
O marcador não voltou a sofrer alterações e o Taipas levou os três pontos para casa. No próximo encontro, o Santo Estêvão desloca-se ao reduto do Abação, enquanto os taipenses recebem o Operário Famalicão.
“Defensivamente fomos muito competentes e a vitória é justa” – Tiago Mota (CC Taipas)
No rescaldo do triunfo no reduto do vizinho, o técnico do CC Taipas, Tiago Mota, reconheceu as dificuldades inerentes a um dérbi e o susto inicial após o intervalo: “Nós sabíamos que ia ser um jogo difícil, com muita emoção, sabíamos que estávamos a ter uma equipa com níveis de agressividade bastante altos. Não podíamos extravasar, sob pena de podermos aqui ser prejudicados”, começou por apontar.
Sobre a reação da equipa da casa a abrir a segunda metade que reduziu para 3-2, o treinador taipense explicou o momento de turbulência: “Sofremos dois golos seguidos que nos abalaram ali sete, oito minutos, até nós encontrarmos ali alguma estabilidade. Ajustámos um pormenor e podíamos ter matado o jogo mais cedo”. No balanço final, Tiago Mota destacou a superação coletiva: “Acho que fomos melhores, defensivamente fomos muito competentes, sofremos quando tivemos de sofrer e a vitória é justa. Mais do que a disponibilidade física, destaco a disponibilidade mental num ambiente extremamente desgastante de jogo grande”.
“Infelizmente os erros pagam-se caro” – Ismael Parauta (GD Santo Estêvão)
Do lado da casa, o treinador Ismael Parauta mostrou-se orgulhoso da exibição global dos seus jogadores, apontando a fatura pesada dos erros individuais e da eficácia contrária: “Gostei daquilo que a minha equipa fez. Na segunda parte ficamos sempre nós a querer ter mais bola, a querer jogar futebol. Infelizmente os erros às vezes pagam-se caro. Na primeira parte cometemos três erros e sofremos logo três golos”, analisou.
Sobre a grande atitude de reentrada no segundo tempo, culminada com dois golos madrugadores, o técnico lamentou as incidências físicas que condicionaram a manobra da equipa: “Na segunda parte alterámos o sistema, entrámos bem, fizemos o 3-2. Infelizmente, quando estávamos a carregar novamente, tive mais duas lesões e tive de reinventar o jogo. O quarto golo surge numa fase em que a equipa já estava mais cansada de tanto lutar pelo empate”.
Questionado sobre a quebra física final, Parauta justificou-a com o risco assumido: “Tivemos jogadores a vir de lesão e a recuperar. Notou-se um bocado essa falta de frescura, mas também foi um risco da nossa parte ao passarmos para três centrais e colocar cinco homens na frente à procura de um resultado positivo”.

