ESCT reúne mais de 180 agentes de educação e saúde em torno da saúde mental

Profissionais creem que a crescente incidência de situações de crise em saúde mental no contexto escolar torna imperativa a capacitação das escolas para intervenção adequada, segura e atempada.

Mais de 180 agentes dos estabelecimentos de educação e de saúde do concelho de Guimarães, bem como da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), do Ministério Público e de forças de segurança, como a Polícia de Segurança Pública, reuniram-se esta quarta-feira na Escola Secundária de Caldas das Taipas para o seminário “Intervenção em crise de saúde mental em contexto escolar”, organizado pela Câmara Municipal de Guimarães em colaboração com a Equipa Comunitária de Saúde Mental da Unidade Local de Saúde do Alto Ave (ULSAAVE).

A iniciativa abordou os comportamentos suicidários na adolescência e pósvenção – termo referente à intervenção iniciada após um comportamento suicidário, que visa trabalhar o luto e a perda, evitando comportamentos de imitação ou contágio –, numa intervenção que esteve a cargo de José Carlos Santos, enfermeiro especialista em saúde mental, coordenador clínico da Linha Nacional de Prevenção do Suicídio (Serviços Partilhados do Ministério da Saúde) e membro da Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio, e a abordagem ao protocolo de atuação em crise de saúde mental em contexto escolar, por Mariana Falcão e Andreia Machado, profissionais da ULSAAVE.

À tarde, houve tempo para a divulgação de algumas respostas da comunidade no âmbito da saúde mental com capacidade de intervir de forma mais precoce, próxima e integrada: LUDERE, Bússola, CoAtion – ProChild CoLAB e CRI.

 

“Comportamentos suicidários na adolescência em idades mais precoces”

O encerramento da sessão que reuniu profissionais de todo o concelho esteve a cargo de Virgínia Rocha, diretora do serviço de pedopsiquiatria da ULSAAVE.

A médica considera fundamental todos os profissionais ligados ao contexto escolar estarem “capacitados para olhar para os sinais de risco e também perceber que há fatores protetores nos adolescentes” e vincou que a partilha do “protocolo de atuação em crise e em saúde mental em contexto escolar” permite aos agentes escolares mostrarem-se “mais seguros na decisão em situações de crise vivenciadas em contexto escolar”. Experiente na área da pedopsiquiatria, Virgínia Rocha expressa a convicção de que há uma tendência para os sintomas de comportamentos suicidários na adolescência se revelarem em idades cada vez mais precoces.

“A minha perspetiva é sempre enviesada. Não sei exatamente se há mais, mas há comportamentos suicidários na adolescência em idades mais precoces e com maior complexidade. Noto isso principalmente no pós-pandemia. Os adolescentes aparecem doentes mais cedo”, afirmou.

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