Mudar por dentro para servir melhor por fora

Qualquer reorganização administrativa só poderá ser verdadeiramente avaliada pelos seus resultados.

Quando um cidadão entra em contacto com uma Câmara Municipal pouco lhe interessa conhecer o seu organigrama, saber quantos departamentos existem ou perceber como estão distribuídas as diferentes competências. O que espera é muito mais simples: que o seu problema seja resolvido e que a resposta seja clara, rápida e eficaz.

É por isso que uma alteração à estrutura e organização dos serviços municipais não deve ser vista como uma mera reorganização administrativa. Deve ser avaliada pela capacidade de melhorar a resposta aos cidadãos e de adaptar o Município aos desafios que tem pela frente.

A nova organização dos serviços da Câmara Municipal de Guimarães parece-me partir precisamente desse princípio: colocar a estrutura municipal ao serviço das prioridades definidas para o concelho.

Habitação, desenvolvimento económico, captação de investimento, urbanismo, turismo ou execução de obra pública não podem ser apenas objetivos políticos. Precisam de uma organização preparada para os concretizar.

A criação de um departamento dedicado à Economia, integrando áreas como o investimento, o desenvolvimento económico e o turismo, demonstra a importância que estas matérias assumem hoje na competitividade dos territórios.

Da mesma forma, separar o planeamento urbanístico da gestão dos licenciamentos poderá permitir maior especialização e celeridade numa área particularmente sensível. Se queremos mais habitação, mais investimento e melhores condições para a instalação e crescimento das empresas, precisamos também de processos administrativos capazes de acompanhar essa ambição.

Considero igualmente importante a criação de uma área de Planeamento Estratégico. Projetos estruturantes envolvem diferentes serviços e exigem coordenação, acompanhamento e capacidade de execução. Numa organização da dimensão da Câmara Municipal de Guimarães, essa articulação é fundamental.

O mesmo princípio aplica-se à contratação pública e à gestão dos financiamentos externos. Um Município com cerca de 100 milhões de euros de obra prevista e um orçamento na ordem dos 250 milhões necessita de equipas especializadas e preparadas para responder à dimensão dessa responsabilidade.

Há ainda uma alteração que, pela minha experiência autárquica, considero particularmente relevante: a criação de um Gabinete de Apoio às Freguesias. Quem conhece a realidade das Juntas sabe como é importante existir um interlocutor claro dentro da Câmara que facilite e organize esta relação.

Naturalmente, qualquer reorganização administrativa só poderá ser verdadeiramente avaliada pelos seus resultados.

Mas existe um princípio que considero indiscutível: se queremos políticas diferentes e respostas mais eficazes, temos também de garantir que a organização está preparada para as executar.

Mudar um organigrama, por si só, não resolve problemas.

Mas organizar melhor para decidir mais depressa, coordenar melhor e servir melhor é seguramente um passo importante.

Porque, no final, a estrutura da Câmara não existe para servir a própria Câmara.

Existe para servir Guimarães e os Vimaranenses.